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As experiências científicas com animais e a ética da vida (II). Por Nilton Kasctin dos Santos
03/07/2021 21:20 em Opinião. Por Nilton dos Santos

Experiências com animais não ficam restritas apenas a uma área da ciência. Neste momento, milhões de animais estão sofrendo as torturas mais cruéis (semelhantes às suportadas pelas cobaias humanas nos campos de concentração nazistas) em laboratórios de empresas e nas universidades do mundo inteiro, a pretexto de estudos para melhorar as condições de vida do homem - eu disse do mundo inteiro; inclui muitas faculdades de perto da nossa casa.

         Todavia, esses métodos de terror já são utilizados há mais de cem anos, e em geral a situação do homem só tem piorado. E continuamos acreditando que os pesquisadores que torturam animais são deuses com o monopólio da verdade e poder para livrar-nos do mal.

         Métodos cruéis de estudos com animais são utilizados em pesquisas de medicina, agricultura, veterinária, biologia, genética, química, radiologia, agronomia, enfermagem, psicologia etc. Analisemos mais dois exemplos, relacionados com a Psicologia e a Química Industrial.

         No campo da Psicologia, ocorre um fato curioso e até hilário. Um grupo de pesquisadores acredita que os animais não são biologicamente como nós. Logo, fazê-los sofrer não teria nenhum sentido, e as pesquisas para melhorar nossa vida feitas com animais seriam inúteis, já que homem e animal são diferentes. Outro grupo acredita que homem e animal são iguais. Logo, fazê-los sofrer é pura maldade, pois, sabendo bem o que são dor, tristeza e solidão, temos consciência do sofrimento que impingimos aos animais. Mas os dois grupos continuam unidos quando o assunto é torturar em nome da ciência.

         Há quase um século, para entender a depressão em seres humanos, pesquisadores realizam o “teste de isolamento social” com macacos. Assim que nasce, o bebê macaco é retirado da mãe e colocado em uma caixa de aço completamente fechada, de maneira que não possa ver nem ouvir animais e seres humanos. Depois de crescido (e louco, logicamente), é colocado com outros macacos. Conclusão do cientista: “sentem medo” (!). Criaram ainda o chamado “poço do desespero” (para estudar a depressão humana). Consiste em um tonel vertical de aço, em cujo fundo são jogados macaquinhos, em completo isolamento, para crescerem nesse ambiente de terror. Conclusão do cientista: “Depois de retirados, apresentam psicopatologia grave de natureza depressiva, permanecendo encolhidos como ficavam dentro da câmara”.

         Isso são apenas exemplos, mas as pesquisas psicológicas empregam milhares de métodos de tortura em animais, tudo para “entender” a mente e o comportamento humanos. Mas com todas as torturas e estudos que custam milhões de vidas de animais e milhões de dólares do contribuinte por ano, ainda nada foi descoberto no sentido de curar ou prevenir a depressão, muito menos de entender por que uma pessoa entra atirando em uma escola.

         Outro exemplo da estupidez humana em relação aos animais são os “testes Draize”, muito usados na indústria de cosméticos, alimentos, medicamentos, tintas ou venenos. Coelhos (principalmente, porque têm olhos grandes, salientes e bonitos) são presos em um instrumento fixo, ficando apenas com a cabeça para fora. A substância a ser testada (veneno, tinta, alvejante, xampu, detergente, solventes, cremes e óleos para pele, tinta para cabelo, batons, protetor solar, perfume etc.) é pingada de quando em quando dentro dos olhos do animal. Por estar preso e não poder fechar os olhos ou coçar o local da agressão, o animal apenas grita de dor, chegando até mesmo a fraturar o pescoço na tentativa de escapar. O procedimento dura vários dias, até que o olho vire uma crosta infecciosa, acompanhada de cegueira completa. Tudo para “saber” o grau de toxicidade da substância a ser lançada no mercado. Ora, desse jeito até água potável faz mal. Teste completamente inútil (continua em edição posterior).

Por Nilton Kasctin dos Santos (Professor e Promotor de Justiça)

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