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Trigo como fator de rentabilidade para os produtores rurais na região Noroeste
16/06/2022 12:36 em Notícias

Plantio do trigo irá se intensificar ao longo deste mês de junho na região, após muitos dias de umidade (Foto: Emater-RS / Arquivo).

A regional administrativa da Emater-RS/Ascar de Ijuí, que possui 44 municípios e que engloba os 21 municípios da região Celeiro, é a que possui a maior área estimada para o plantio da safra de trigo no Rio Grande do Sul, em um ano onde a expectativa é que o Estado tenha a maior área cultivada com o cereal, em 42 anos.

A área plantada deve somar 1.413.763 hectares, a maior desde 1980. O incremento de área é de 15,04% em relação à safra passada. A produção do trigo no Estado fica concentrada na região Noroeste, principalmente nas regiões de Santa Rosa e Ijuí.

No ano passado, a produção do cereal já havia sido recorde, totalizando 3,5 milhões de toneladas. A terceira maior safra foi a de 2013, com 3,3 milhões de toneladas.

Para este ano, na regional de Ijuí, há uma expectativa de 358.200 hectares sendo semeados com trigo (quase 30% do que será plantado em todo o RS), um aumento de cerca de 15% em relação à safra passada. A estimativa de produtividade é de 2.732 kg por hectare, o que resultaria em uma produção de 978.602 toneladas.

Sobre as razões para o crescimento na área de trigo no Estado, Gilberto Bortolini, extensionista da Emater, regional de Ijuí, aponta ao menos dois motivos: “A primeira razão é que o produtor saiu da safra de verão descapitalizado. Então ele tem que buscar outras fontes de rentabilidade dentro da propriedade, e o trigo é uma delas. O segundo ponto é que o preço da saca de trigo está aquecido. Se a lavoura for bem cultivada, há uma previsão de boa rentabilidade para os produtores”, explica.

Santo Augusto, com expectativa de plantio de 14 mil hectares com trigo, e Chiapetta, com 9 mil hectares, são os municípios da região Celeiro com maior área a ser semeada. Tenente Portela deve plantar 8 mil hectares e Coronel Bicaco, cerca de 7 mil. Três Passos deve ter um pequeno aumento na área plantada com trigo: de 3.700 para 3.800 hectares com a cultura.

Como o trigo é considerado uma cultura sensível, os produtores precisam estar atentos aos detalhes, para que fatores externos não frustrem a produtividade prevista.

“O inverno muitas vez traz dificuldades aos produtores, principalmente a questão de geadas e de chuvas intensas. Este ano temos observado que o produtor está retardando um pouco a semeadura, até em razão da umidade dos últimos dias. Com a introdução de novas cultivares, de ciclo mais precoce, o produtor está jogando um pouco mais para adiante o cultivo, para escapar de possíveis geadas no final de julho e início de agosto”, destaca Bortolini.

Novas projeções reforçam expansão do trigo no Estado

Uma conjuntura favorável de preços das commodities e os prejuízos contabilizados pelos agricultores no verão estão entre os motivos que incentivam a produção este ano.

Na avaliação do diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, o crescimento de área, especialmente no trigo, é “irreversível” porque o produtor gaúcho, que está capitalizado, vem se especializando nas culturas de inverno. O cenário, cita o diretor-técnico, é de oportunidade:

“Quando você tem oportunidade, você permanece nela porque se torna especialista em produção. O produtor já vem com a tecnologia que está sendo gerada e as empresas têm desenvolvido genética que possibilita altos rendimentos. O produtor, com certeza, não volta a diminuir muito a área”, afirma.

Além disso, as exportações são oportunidade de mercado diante do conflito entre Rússia e Ucrânia, que limita atualmente a oferta mundial do cereal. Existe, portanto, uma condição diferenciada em relação a outros anos, de avanço tecnológico e de bons preços no mercado internacional, acrescenta Tarcisio Minetto, coordenador da Câmara Setorial do Trigo da Secretaria da Agricultura.

Minetto pontua que o RS terá um recorde de embarques do produto (com a colheita farta do ano passado): serão 2,9 milhões de toneladas.

Fora as exportações, os produtores de trigo ainda têm como opção de mercado a alimentação animal, em substituição ao milho, e a indústria de panificação, já que o Brasil precisa importar parte da matéria-prima que utiliza em suas fábricas de pães, massas e bolachas.

Conab estima que área plantada com cereal seja de 1,31 milhão de hectares, quase 13% maior que a semeadura do ano passado

Em nova rodada de projeções da safra, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e IBGE reforçaram o movimento de expansão do trigo no Rio Grande do Sul – com algumas variações na proporção desse crescimento. Como o ciclo de inverno está só começando, há tempo de sobra para revisitar as estimativas, fazendo os ajustes conforme o ritmo no campo. De toda forma, o 1,31 milhão de hectares que deverá ser cultivado com o cereal, segundo a Conab, se aproxima da maior área da série histórica da instituição, na safra 1979-1980. Além de representar aumento de 12,9% sobre o último ano — há tendência de que possa ficar maior, à medida que vai andando o plantio.

Nos dados do IBGE, o avanço da área de trigo ainda aparece de forma tímida no Estado, com 1,27 milhão de hectares, 3,8% a mais do que no ano passado. Mas a projeção é de novo recorde de volume de produção, que deve atingir 8,9 milhões de toneladas no Brasil, crescimento de 13,6% sobre 2021 — Paraná e Rio Grande do Sul são os maiores produtores nacionais.

“Com a guerra entre Ucrânia e Rússia, que são dois grandes produtores e exportadores de trigo, os preços desse produto cresceram. Isso fez os produtores brasileiros expandirem as áreas de plantio. Se tiver uma boa condição climática, a produção deve ser recorde em 2022”, disse Carlos Alfredo Guedes, gerente de agricultura do IBGE.

Fonte: Rádio Alto Uruguai

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