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O homem e o meio ambiente (II). Por Nilton Kasctin dos Santos (Promotor de Justiça e Professor)
21/07/2022 20:23 em Opinião

Sobre a responsabilidade do homem no cuidado do meio ambiente, assim disserta o teólogo e cientista Jean Claude Lavigne: “Deus convidou-nos a gerir o mundo com sabedoria, mas não soubemos usar os dons que nos foram entregues e preferimos esbanjar. Os recursos terrestres estão quase esgotados; o que vamos apresentar ao Senhor quando Ele vier? (Habitar a Terra – Uma Espiritualidade da Criação, Instituto Piaget, Lisboa, 1996, p. 96).

Em um evento acadêmico com objetivo de debater o tema “Extinção da Espécie Humana” realizado há pouco tempo no Brasil, o mestre da Teologia da Libertação, Leonardo Boff, trouxe a informação de que foi encontrada no mar uma espécie de lula com dois cérebros. Tal animal seria tão desenvolvido, que, segundo os pesquisadores, substituiria o homem quando este desaparecer da Terra! Loucura ou não, mas já se admite o desaparecimento do homem ainda neste século. Isso prova que o propósito da Criação permanece firme: ou o homem respeita a Natureza, obedecendo a todas as suas leis, ou continua poluindo, inventando produtos químicos, cortando árvores, envenenando animais, e desaparece mesmo.

         Estamos acostumados a pregar que toda a obra da Criação exalta o nome do Criador. Entretanto, pela nossa perdulária e irresponsável administração da Terra, já fizemos desaparecer milhares de espécies de plantas e animais. Em outros termos, o homem está fazendo calar vozes criadas por Deus para Seu louvor. Agindo assim, o homem está tentando apagar da Natureza as marcas de Deus, deixadas em cada ser para Seu louvor e para que dEle nenhuma geração se esqueça. Sobre isso assim escreveu Jean Claude Lavigne: “Deus deixou a sua marca nos elementos da Natureza...  A diversidade paisagística é uma imagem do infinito e da beleza de Deus e incita-nos a sentirmo-nos, simultaneamente, jubilosos pela Natureza e por Deus”. (Habitar a Terra – Uma Espiritualidade da Criação, Instituto Piaget, Lisboa, 1996, p. 88).

         É imperativo que o homem testemunhe sobre a beleza da Criação às gerações futuras, para que se perpetue a lembrança, o louvor, a adoração e a honra ao Criador. A respeito disso, assim compôs o salmista, a quem podemos denominar o poeta mais ambientalista da história: “Uma geração louvará as tuas obras à outra geração” (Sl 145. 4).  Todavia, o homem moderno descumpre sistematicamente a determinação divina de cuidar do ambiente natural com o fim de entregá-lo belo e vivo às futuras gerações. A propósito, dizem os velhos africanos, sabiamente, que “a Natureza não nos foi entregue por herança de nossos pais, mas por empréstimo de nossos filhos”. Mas cada nova geração recebe da antecessora um ambiente mais destruído, feio e mutilado.

         Há mais de 30 anos atuo com profunda dedicação em prol da preservação ambiental, quer exercendo com plenitude minha função institucional, fazendo com que a legislação ambiental seja cumprida, quer escrevendo e proferindo palestras sobre o tema. No entanto, confesso que são pouquíssimas as pessoas que aderem, na prática, à ideia da necessidade urgente da preservação ambiental.  Quase a totalidade das campanhas ambientalistas existentes não passam de mera retórica, que não surtem nenhum efeito prático, enquanto a devastação avança de forma apocalíptica. A sociedade e o atual governo do Brasil enxergam nos ambientalistas apenas tolos inimigos do “progresso”.

         Mas continuemos firmes no nosso propósito de defender a obra da Criação, não porque somos obrigados por lei, mas porque um dia tivemos o privilégio de compreender que ser ambientalista é uma missão divina. E lutar pela preservação do meio ambiente é a forma mais bela e real de servir ao Criador.

Por Nilton Kasctin dos Santos (Promotor de Justiça e Professor)

 

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