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COP 27 e o destino da humanidade. Por Nilton Kasctin dos Santos (Promotor de Justiça e Professor)
09/11/2022 20:13 em Opinião

COP é a sigla em inglês para a expressão “Conference of the Parties” (Conferência das Partes). Representa a união de mais de 200 países para discutir a situação ambiental do Planeta, principalmente o chamado aquecimento global. A edição de número 27, que ocorre nesta semana no Egito, tem como principal objetivo, mais uma vez, encontrar um caminho para a redução da emissão dos gases de efeito estufa. Segundo a ciência, única forma ao alcance humano para evitar um colapso da vida em razão do desequilíbrio ambiental provocado por excesso de calor na terra.

         Hoje vou abordar a questão do equilíbrio ambiental, mas em outra edição tratarei dos temas aquecimento global e gases que provocam o efeito estufa.

         Pois bem. A vida no Planeta só é possível em razão da existência concomitante de bilhões de seres vivos e elementos químicos. Mas cada espécie de ser e cada categoria de elemento químico deve existir em quantidade rigorosamente dosada, e isso depende do equilíbrio da temperatura da terra.

         Se a temperatura for ligeiramente acima da média de hoje, ocorrerá a extinção de incontável número de espécies vegetais e animais que não suportam muito calor. Por outro lado, se a temperatura média da terra baixar apenas um ou dois graus, outros tipos de animais e plantas, que não suportam muito frio, deixariam de existir.

         Assim, se a quantidade de um só tipo de animal ou de planta for muito pequena ou muito grande, todos os outros animais e todas as outras plantas sofrerão consequências negativas, que podem significar desde mutações genéticas até a própria extinção da espécie inteira, causando imenso impacto em toda a vida animal e vegetal, pois tudo o que tem vida está intrinsecamente ligado em uma harmoniosa cadeia alimentar e energética, o que equivale a dizer que a vida de um ser vivo depende da vida de todos os outros seres.

         O mesmo acontece com os elementos químicos encontrados no ar, na água e no interior de todo corpo composto por qualquer tipo de matéria, seja viva ou inanimada (pedra, madeira, animal, homem etc.). O oxigênio presente na atmosfera deve ficar sempre em torno de 21% do total de gases existentes. O sal da água do mar gira em torno de 3,4%, percentual que se mantém inalterado há bilhões de anos, graças a bactérias e microrganismos que vivem no fundo dos oceanos, até mesmo onde ainda ninguém conseguiu chegar nem de submarino. A temperatura da crosta da terra se mantém estável sempre numa média em torno de 15 e 35 graus.

         Se só o oxigênio da atmosfera subisse de 21% para 25%, ocorreriam grandes incêndios capazes de destruir florestas inteiras a cada raio que ocorresse. Se a porcentagem de sal do mar subisse de 3,4 % para 6%, praticamente todos os peixes morreriam.

         Mas veja-se como é fundamental a média da temperatura da terra. Se aumentar mais de 5 graus, todos os seres vivos desaparecerão, independentemente de alguns suportarem mais calor. Acontece que, mesmo aos seres mais resistentes ao calor, faltariam as condições de existência, principalmente o alimento. É só refletir um pouco. Existem animais que se alimentam exclusivamente de uma fonte de nutrientes apenas, como um tipo de alga, fungo, flor, semente, folha, fruto, ou mesmo um tipo de inseto, réptil ou mamífero, por exemplo. Desaparecendo seu alimento, mesmo que seja resistente ao calor, vai desaparecer também.

         Portanto, a consequência mais grave e direta do aquecimento global não é o calor, que derrete geleiras, causa enchentes e outras catástrofes, mas sim o desequilíbrio ambiental, que afeta as condições essenciais da vida humana, animal e vegetal. E isso já é uma realidade incontestável (continua em edição posterior).

Por Nilton Kasctin dos Santos (Promotor de Justiça e Professor)

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