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COP 27 e o destino da humanidade (II). Por Nilton Kasctin dos Santos
17/11/2022 19:52 em Opinião

O mundo continua acompanhando as discussões da COP27 no Egito. Dezenas de temas desfilam entre os grupos temáticos do evento, como desmatamento, clima e desigualdade social, financiamento climático, crédito de carbono, justiça climática, redução da emissão de CO2, entre outros. Mas a preocupação central que gravita em torno de todos esses temas é mesmo o temível desequilíbrio ambiental, que já é uma realidade. Acontece que a terra esquentou demais nos últimos anos, e isso já começou a afetar a vida planetária, exatamente pelo desequilíbrio que provoca.

         Mas por que a terra esquentou demais? Em razão da alteração do efeito estufa, provocada pela emissão excessiva de gases na atmosfera, principalmente o CO2 que resulta da queima de petróleo e florestas, mas também do desmatamento (mesmo sem uso do fogo).

         Note-se que adoto a expressão “alteração do efeito estufa”. Sim, porque efeito estufa é bom, gás é bom, calor é bom. Mais do que bom. São essenciais para a vida. Nos planetas Netuno e Urano, com temperaturas de 200 graus negativos, não há vida porque não existem essas coisas. Insisto: o nosso problema é o desequilíbrio ambiental, que causa desequilíbrio da temperatura média da terra, que gera mais desequilíbrio ambiental.

         O que é efeito estufa? Esse fenômeno pode ser explicado da seguinte forma: inúmeros gases que resultam das atividades humanas, da evaporação da água ou das funções naturais dos seres vivos (como digestão e respiração) sobem para o ar e ficam retidos a uma certa altura, formando uma camada como se fosse uma grande lona. Nessa camada se juntam milhares de tipos de gases, oriundos da poluição da indústria, dos adubos químicos e agrotóxicos das lavouras, das queimadas do lixo doméstico e florestas etc. Gases bons e ruins para nossa vida.

         Esses gases nunca se perdem no espaço, não vão para o céu e também não deixam de existir. Eles apenas se juntam logo acima de nossas cabeças. E ficam lá. Os raios solares conseguem passar por essa camada, e atingem a superfície da terra. Em situação normal (de equilíbrio natural), grande parte do calor do sol que atinge a terra fica na terra mesmo, para aquecer o solo e a água. Outra parte do calor solar volta para o espaço, mas um tanto fica retido na atmosfera, por causa dessa camada de gases, formando uma espécie de estufa quentinha.

         Ocorre que nas últimas décadas a liberação de gases de efeito estufa, em virtude de atividades humanas, aumentou consideravelmente. E com esse acúmulo maior de gases, essa “lona” fica mais grossa, retendo quantidade maior de calor na atmosfera, o que provoca o aumento de temperatura. Isso é o aquecimento global.

         Por que se fala tanto em árvores, quando se debate o aquecimento global? Porque elas funcionam exatamente como controladores dos níveis de CO2 na atmosfera. A função principal das árvores é captar e armazenar na madeira os gases do ar, principalmente o dióxido de carbono (CO2). Logo, quando uma árvore é podada ou cortada, esse carbono que está dentro dela é liberado para a atmosfera, vindo a causar doenças em seres humanos, animais e vegetais e, como já disse, a elevação do calor pelo agravamento do efeito estufa. Quando uma árvore é podada ou cortada, além de parar de captar os venenos do ar, libera os gases tóxicos que estão dentro dela. Muito pior ainda quando a árvore é queimada.

         Portanto, o homem é absolutamente incapaz de continuar vivendo sem a companhia das árvores. Equivale a dizer que o destino da humanidade é o mesmo das árvores. A destruição das árvores é o fim da possibilidade de vida no Planeta (continua em edição posterior).

Por Nilton Kasctin dos Santos (Promotor de Justiça e Professor)

Imagem: Greenpeace

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