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Sobre o agrotóxico Paraquat. Por Nilton Kasctin dos Santos (Promotor de Justiça e Professor)
25/11/2022 08:57 em Opinião

O Paraquat é um agrotóxico extremamente perigoso. Sempre foi proibido em toda a Europa e até mesmo na China, onde é fabricado. Agora passou a ser proibido também no Brasil, mas continua sendo ainda um dos mais usados nas lavouras brasileiras. Criminosamente. Todos os dias as polícias rodoviárias apreendem toneladas desse veneno em nossas estradas. Por acaso, em trabalho de rotina na fiscalização de trânsito. Há poucos meses, só numa abordagem a Polícia Militar apreendeu no Mato Grosso 10 toneladas de Paraquat do Paraguai. Dá para imaginar então o volume de ingresso clandestino desse agrotóxico no Brasil.

          A finalidade do Paraquat é dessecar a vegetação das lavouras antes do plantio da soja, milho, trigo, arroz, aveia etc. Muito usado também para dessecar as plantações quase prontas para colher, e assim apressar a colheita. Com isso todas as pessoas que comem pão, arroz, polenta, massa, biscoitos, bolachas, salgadinhos, bolos, sanduíches e centenas de outros alimentos podem estar ingerindo também esse veneno perigoso.

          Não é minha intenção provocar medo. Mas o assunto é de extrema gravidade e deve preocupar a sociedade inteira.

          O nome Paraquat não é a marca do veneno, por isso essa palavra não vai aparecer escrita com destaque nas embalagens de agrotóxicos. Paraquat é um princípio ativo, uma espécie de matéria prima da qual se fabrica inúmeras marcas de venenos perigosos. Eis algumas dessas marcas: Gramoxone, Helmoxone, Paradox, Gramocil etc.

          Esse veneno funciona como uma espécie de bomba nuclear em caso de intoxicação aguda. Uma quantidade mínima que entre em contato com a pele ou a mucosa, poderá matar uma pessoa dentro de poucas horas. Não há escape. No mundo inteiro não há qualquer tipo de remédio que possa melhorar a saúde de uma pessoa intoxicada com Paraquat. É exatamente isso que quer dizer a expressão “NÃO EXISTE ANTÍDOTO”, escrita em letras garrafais na bula e no rótulo desse agrotóxico.

          No organismo humano, o Paraquat é absorvido pela pele e pelas mucosas respiratória, ocular e digestiva. Depois de absorvido, ele se espalha rapidamente, pela corrente sanguínea, para todos os órgãos e tecidos do corpo, concentrando-se nos rins, fígado, cérebro e, em particular, nos pulmões.

          Nos rins, causa necrose tubular. Nos pulmões, que constituem o órgão-alvo do Paraquat, a ação de superóxidos resulta em modificações da permeabilidade da membrana celular e morte das células parenquimatosas e endoteliais. E o que é pior: causa fibrose pulmonar irreversível. Irreversível significa exatamente isto: o intoxicado por Paraquat não sara mais.

          Mas o pior mesmo é o que vou dizer agora. Essa fibrose pulmonar progride automaticamente, sem parar, causando asfixia progressiva do intoxicado. E quando a pessoa já está na ânsia da morte em razão dessa falta de ar progressiva, normalmente só tem uma saída: ministrar oxigênio ao paciente. Só que no caso de intoxicação por Paraquat isso não é possível, porque o oxigênio irá terminar de matar, literalmente. Então, a providência que seria o último recurso médico para salvar a vida do paciente, funciona como golpe de misericórdia quando se trata de intoxicação por Paraquat.

          Tudo isso que disse não corresponde a dez por cento das gravíssimas consequências que o Paraquat causa para a saúde e o meio ambiente. E nada do que escrevi é invenção de um palpiteiro de plantão, de ambientalista de esquerda ou de algum cientista maluco que nunca tomou sol. Também não é invenção de algum inimigo do agronegócio.

          Sabe quem diz tudo isso sobre o Paraquat? O próprio fabricante. Está na bula, no rótulo e na ficha de informação do Gramoxone, Helmoxone e outros venenos à base de Paraquat, infelizmente ainda usados em nossa região.

          Além disso, está cientificamente comprovado que o Paraquat causa a doença de Parkinson, mutações genéticas e câncer.

Por Nilton Kasctin dos Santos (Promotor de Justiça e Professor)

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